Como chegar a Machu Picchu: trilha, hidroelétrica ou trem

A primeira vez que fui a Machu Picchu eu não tinha planejado nada com antecedência. Na época, eu estava fazendo voluntariado no Peru e trabalhando em uma agência de turismo em Cusco. Consegui um dia de folga no meio da semana e, como não tinha muito tempo para decidir, resolvi tudo de última hora para ir a Machu Picchu.

Para chegar até lá, fiz um caminho totalmente diferente e nada turístico. É uma rota que só recomendo para quem tem experiência em trekking e vai acompanhado. Foi uma experiência muito diferente das rotas mais conhecidas para chegar a Machu Picchu e, por isso, quero contar todo o percurso, com os horários e os quilômetros que percorri.

Já nesse mesmo ano, 2024, voltei para Cusco pela trilha de hidroelétrica, trilha em que tive o privilegio de repetir em 2026, agora na ida da viagem. Conto com detalhes horários e como fazer. Nessa segunda visita, voltei de trem.

Logística para chegar a Machu Picchu

Em resumo, para entender a logística completa temos que dividir o caminho todo em partes
1. Como chegar a Ollantaytambo
2. Chegar a Aguas Calientes
3. Como subir a Machu Picchu

A parte 1, muitas vezes, já vem integrada com a 2 hahaha, ou seja, se você comprar um trem, as agencias já te dão a opção de comprar o serviço bimodal, e assim, te oferecem a van de Cusco até Ollantaytambo + o trem até Aguas Calientes em un preço só. Não há serviços de trem saindo de Cusco direto.

Você também pode aproveitar que os trens saem de Ollantaytambo e passar ao menos uma noite lá, o pueblo é lindoo, vale super a pena, e você pode chegar de onibus convencional ou fazer o tour do Valle Sagrado e ficar por la mesmo, já que é a ultima parada do tour (ou seja, você faz o tour completo e apenas não volta a Cusco, avisa a agencia que você vai dormir la mesmo). No dia seguinte, pega o trem de lá direto a Aguas Calientes ou a van até a hidroelétrica, que saem de Cusco e passam por la também, dando essa duas opções para embarcar.

Outra maneira de chegar em Aguas Calientes, sem nem precisar passar por Ollantaytambo é escolhendo uma das trilhas convencionais e turisticas, a trilha inca ou a salkantay, que duram de 2 até 6 dias. Eu não fiz nenhuma das duas, mas me parecem lindas opções, pra quem gosta de caminhar, obvio, e tem tempo.

Uma vez que voce chega em aguas calientes, tem que lidar com a terceira escolha hahaha como subir a montanha. Você pode pagar pelo onibus ou subir as escadas incas. Abaixo detalho toda a minha experiencia provando os diferentes meios de chegar na cidade perdida dos incas 😉

Trilha alternativa e não turística pelos trilhos do trem até Aguas Calientes: como cheguei pela primeira vez em 2024

Saí às 5h da manhã da Calle Pavitos, em Cusco, em um carro compartilhado com destino a Ollantaytambo. Em 2024, paguei 5 soles por pessoa. Assim que cheguei ao ponto de saída, o carro completou com a gente e partiu diretamente para Ollantaytambo.

Cheguei à praça principal de Ollantaytambo às 6h29 e, de lá, caminhei até o terminal de ônibus, onde peguei uma van que me levaria até o quilômetro 82. Essa última van foi importante porque reduziu um pouco mais a quilometragem que precisaríamos fazer a pé. A viagem demorou pouco mais de uma hora entre a saída do terminal e a chegada ao ponto final, na antiga estação de trem. Descemos ali e começamos, finalmente, a caminhar em direção a Aguas Calientes.

Ao descer em direção aos trilhos, um local nos perguntou o que iríamos fazer. Quando explicamos que seguiríamos caminhando até Aguas Calientes, ele nos orientou a prestar bastante atenção quando viesse algum trem. Diferentemente da trilha da Hidroelétrica, os trens que passam por aquele trecho não estão acostumados com turistas caminhando pelos trilhos. Agradecemos a orientação e continuamos o caminho.

Como foi a caminhada – com tempos e pontos estratégicos

Caminhamos por aproximadamente 20 minutos e encontramos as primeiras ruínas, as C.A. Salapunku. Foi muito especial poder entrar e conhecer aquela ruína de perto. Exatamente às 8h14, passou o primeiro trem, e nós tínhamos acabado de descer das ruínas.

O caminho tinha espaço para caminhar pela lateral dos trilhos. Quando percebíamos que vinha um trem, algo que era bastante perceptível com tempo suficiente para nos afastarmos, encostávamos bastante na lateral para deixar espaço suficiente entre nós e os vagões.

Seguimos caminhando por mais 30 minutos e encontramos outra ruína, dessa vez sem identificação. Paramos para tirar algumas fotos e também vimos outras pessoas passando pelo caminho dos trilhos. Eram carregadores de agências, com mochilas gigantes, que provavelmente fazem esse caminho mais curto enquanto os turistas estão fazendo o Caminho Inca no meio das montanhas.

Às 9h10, passamos pelo nosso primeiro túnel, que era bem curto. Até aquele momento, estávamos caminhando atrás dos carregadores, que seguiam em um ritmo mais rápido. Em determinado momento, eles foram ficando para trás porque nós paramos para tirar fotos e aproveitamos para caminhar mais devagar.

Antes de chegarmos ao quilômetro 89, encontramos uma comunidade que tinha barracas montadas na trilha do trem. Eles vendiam água, frutas, chocolate e outras coisas para comer. Compramos algumas coisas para ir comendo durante o caminho.

Às 9h39, chegamos ao quilômetro 89, um dos lugares que mais gostei do percurso. A paisagem é linda, com uma ruína de sítio agrícola bem próxima ao rio, algumas casinhas e uma ponte. Nesse mesmo quilômetro, a paisagem se completa com um túnel natural de pedra.

Seguimos caminhando…

Em menos de 20 minutos, chegamos a uma entrada inca que provavelmente hoje pertence a alguma propriedade ou talvez até a uma hospedagem. Paramos ali para fazer um lanchinho e ficamos cerca de 30 minutos descansando.

Depois, continuamos o caminho, que foi ficando cada vez mais bonito. A paisagem mudava constantemente. Em alguns momentos, estávamos cercados por montanhas tão altas que pareciam dominar completamente o caminho. Pouco depois, parecia que estávamos caminhando dentro de uma floresta.

O caminho é totalmente plano e, por mais que sejam muitos quilômetros, a caminhada é bem tranquila em relação à altimetria e à dificuldade do terreno. Chegamos ao quilômetro 99 às 12h21 e ao quilômetro 101 às 12h51. Ou seja, fomos mantendo um ritmo bem bom de caminhada. O segundo trem que encontramos no caminho passou às 13h53.

Continuamos caminhando até o quilômetro 108, onde encontramos mais um túnel pequeno e lindo. Durante praticamente todo o caminho, seguimos acompanhando o rio. Passamos pela placa do quilômetro 108 às 14h35. Dali, continuamos caminhando, já quase chegando a Aguas Calientes. Finalmente, chegamos ao letreiro de Machu Picchu às 15h.

Fizemos o último quilômetro até o pueblo em apenas 13 minutos e fomos direto ao centro de cultura para comprar nossos ingressos para subir até Machu Picchu no dia seguinte. Foi assim que, na minha primeira vez, cheguei a Machu Picchu depois de uma caminhada de aproximadamente 30 quilômetros, feita praticamente toda pelos trilhos do trem.

A trilha da Hidroelétrica até Aguas Calientes

A trilha da Hidroelétrica é uma das formas de chegar a Aguas Calientes caminhando e, consequentemente, uma alternativa para quem quer chegar a Machu Picchu gastando menos com transporte. O percurso acompanha os trilhos do trem por cerca de 10 quilômetros, em um caminho praticamente reto e com pouca dificuldade em relação à altimetria. Muitos turistas fazem essa caminhada todos os dias.

Os trens desse trecho já estão acostumados com a presença de pessoas caminhando pelos trilhos e por isso, é considerado seguro.

O caminho da Hidroelétrica é lindo e eu recomendo muito para quem gosta de caminhar e, claro, quer conhecer Machu Picchu de um jeito mais econômico. A caminhada é reta e existe espaço seguro entre os trilhos e a área destinada a quem caminha.

Mesmo assim, eu não recomendo fazer a trilha com fones de ouvido. É super importante conseguir escutar quando o trem está vindo e respeitar o espaço destinado ao pedestre. Muitas pessoas fazem essa caminhada em duas ou três horas.

Para ir as vans saem as 7 am de Cusco e para voltar e as vans começam a operar por volta das 10h da manhã, com diferentes saídas. Eu fiz esse caminho da volta na primeira vez que fui a Machu Picchu e, na segunda vez, fiz o mesmo percurso na ida. Apesar das duas experiências serem parecidas, e vou contar em detalhes cada uma delas.

Ida pela Hidroelétrica em junho de 2026

Em junho de 2026, dessa vez peguei a van para a Hidroelétrica em Ollantaytambo, e não em Cusco. A indicação era que a van passaria às 9h na estrada, sem entrar na cidade, e seguiria direto para a Hidroelétrica. Porém, a van atrasou e passou para nos buscar às 10h.

Paguei 55 soles pela viagem. Começamos uma viagem cheia de altos e baixos, passando por estradas estreitas, mas muitooo lindas, com paisagens incríveis pelo caminho. Às 11h38, passamos pelo pueblo de Huyro, onde inclusive fiz um voluntariado em 2024, durante minha primeira passagem pelo Peru. Paramos ali para ir ao banheiro e comprar algo para comer.

Seguimos na van até o restaurante da Hidroelétrica, onde chegamos às 13h39. Assim que chegamos, começamos a caminhada. Dessa vez, eu estava com outras quatro meninas. Como cada uma tinha um ritmo diferente, fomos seguindo e andando devagar para respeitar a caminhada de todas.

Começando a caminhada – com tempos e pontos estratégicos

Às 13h50, passamos pela placa do Santuário Histórico de Machu Picchu. Ali começamos o primeiro quilômetro até a Hidroelétrica, que é feito por estrada de terra. Chegamos ao posto de controle às 13h56 e começamos, então, nossa caminhada oficial pelos trilhos do trem até Aguas Calientes.

Chegamos ao quilômetro 119 às 14h32 e passamos pela ponte verde. E às 15h08, encontramos o primeiro trem. Ele passou bem devagarzinho e nós subimos nas encostas para dar espaço. Em seguida, às 15h37, passamos pela cachoeira. Nesse ponto, tem gente que até entra na água.

Pouco depois, às 15h50, passamos pela propriedade Mandor, um lugar que quero muito voltar para conhecer um dia, com trilhas, cachoeiras e hospedagem no meio das montanhas. Continuamos caminhando e, 35 minutos depois, passamos por um setor cheio de restaurantes e barzinhos. Aproveitei para comprar um Gatorad e um chocolate para o último gás da caminhada. Às 16h33, chegamos ao letreiro de Machu Picchu.

Foi muito especial chegar a Aguas Calientes juntas depois de todo aquele caminho. Chegamos ao pueblo às 17h e descansamos para ir a Machu Picchu no dia seguinte. Dessa vez, eu já tinha o ingresso comprado.

Volta pela Hidroelétrica em junho de 2024

Na volta da minha primeira viagem, em junho de 2024, comecei a caminhada de Aguas Calientes até a Hidroelétrica às 11h20, passando pelo quilômetro 111. Às 13h12, passamos pela famosa ponte verde e chegamos à Hidroelétrica às 13h45. De lá, fizemos o último quilômetro até o restaurante onde pegamos a van para Cusco.

A van custou 40 soles e, depois de cinco horas de viagem, chegamos novamente à capital do Império Inca. Foi a primeira vez que fiz a trilha da Hidroelétrica e, embora eu já tivesse chegado a Aguas Calientes por um caminho mais longo e pouco turístico, essa caminhada de 10 quilômetros me mostrou uma outra possibilidade para chegar a Machu Picchu de forma mais econômica. Dois anos depois, eu voltaria a fazer exatamente esse percurso, mas dessa vez no sentido contrário.

Viagem de trem

Além de ser a alternativa mais rápida e confortável pra quem quer chegar a Machu Picchu sem esforço físico. O trajeto é operado por duas empresas, PeruRail e Inca Rail que oferecem diferentes horários e categorias de serviço, com preços variados.

Ainda assim, é importante saber que os preços das passagens costumam ser altos, principalmente quando comparados à distância percorrida. O trem faz um trajeto de aproximadamente 27 quilômetros em cerca de uma hora e meia e, mesmo com o valor elevado, não inclui serviço de bordo gratuito. Por isso, na minha opinião, o custo não corresponde ao serviço oferecido.

Apesar disso, o trem segue sendp a única escolha para quem quer evitar longas caminhadas, para pessoas mais velhas ou para quem prioriza conforto e rapidez durante a viagem até Machu Picchu.

Volta de Aguas Calientes a Ollantaytambo de trem 2026

Na minha segunda vez em Machu Picchu, tive o privilégio de voltar de trem. Descemos de Machu Picchu às 9h30 e fomos direto para o embarque do trem, que estava marcado para sair às 10h30 de Aguas Calientes com destino a Ollantaytambo.

O trem foi lindo. Foi cerca de uma hora de viagem, bem confortável e com paisagens maravilhosas. Ao olhar pela janela, senti uma nostalgia enorme de quando tinha feito aquele mesmo caminho a pé em 2024. O trem custou US$ 85, cerca de R$ 500, somente a volta. Era uma das opções com melhor preço pelo horário, que era bem cedo.

Mesmo assim, eu realmente acho muito caro para o serviço oferecido. O serviço é bom, mas a viagem é super-rápida e simples. Quando chegamos a Ollantaytambo, ficamos esperando o pessoal da própria Peru Trail organizar as vans para seguir até Cusco. O trem vai somente até Ollantaytambo, então ainda precisamos continuar pela estrada por mais uma hora e meia até Cusco.

Depois de viver essas duas experiências, ficou ainda mais claro para mim que existem diferentes maneiras de chegar a Machu Picchu. Você pode combinar van, carro, trem e caminhada de diferentes formas, dependendo do seu tempo, do seu orçamento e, principalmente, da disposição para caminhar.

Mas, independentemente de como você chega a Aguas Calientes, ainda existe uma última etapa antes de entrar na cidadela. É preciso subir a montanha.

De Aguas Calientes até Machu Picchu

Aguas Calientes é um pueblo às margens do rio, enquanto Machu Picchu está no topo de uma montanha. Depois de chegar ao pueblo, seja pela trilha, de trem, de carro ou por uma mistura de tudo isso, você precisa decidir como vai fazer os últimos quilômetros até a entrada de Machu Picchu.

A opção mais tradicional para quem não quer encarar a subida é pegar o ônibus. Ele custa US$ 12 por trecho ou US$ 24 para subida e descida, cerca de R$ 120. A outra opção é subir pelas escadas.

Uma estratégia para ter as duas experiências, economizar e não cansar tanto é subir de ônibus e descer pelas escadas. Mas fica aqui o registro: não é qualquer escada, não. É escada inca, ok? Hahahah. Na minha primeira visita, porém, eu já tinha feito uma caminhada de aproximadamente 30 quilômetros no dia anterior. Mesmo assim, escolhi subir a pé.

Subida e descida a Machu Picchu pelas escadas incas, junho 2024

Depois de toda a caminhada que contei acima, para chegar a Aguas Calientes, acordamos às 4h15 para arrumar tudo e subir até Machu Picchu. Ainda estava escuro quando saímos. Começamos caminhando o mesmo último quilômetro do pueblo até o letreiro de Machu Picchu. Depois, seguimos por mais uns 300 metros até a entrada da base de Machu Picchu.

O parque abria às 5h, então esperamos abrirem as portas e, assim que pudemos entrar, começamos a subida pelas escadas, ainda no escuro, até o topo da montanha. A subida foi dura, viu? Não vou mentir.

Eu já tinha caminhado cerca de 30 quilômetros no dia anterior, mas mesmo assim encarei mais uma hora de subida pelas escadas incas e foi massa. O esforço acabou sendo recompensado pelo amanhecer do caminho. O sol foi nascendo enquanto subíamos e o céu ficou roxo. Foi lindíssimo.

Chegamos ao topo às 6h10 e fomos direto entrar na cidadela. Depois de uma hora de pura subida pelas escadas incas, finalmente estávamos diante de Machu Picchu. A descida foi mais tranquila e rápida, demoramos 45 minutos. O único ponto interessante para ressaltar das escadas é que elas são literalmente escadas incas feitas de pedra. Algumas altas, outras íngrimes, não tem corrimão e não são regulares, por isso não recomendo pra quem não tem um pouco de preparo físico, pra quem tem problemas nas juntas, para pessoas maior de idade, e para crianças pequenas, é cansativo.

Subida e descida a Machu Picchu de onibus, junho 2026

Em 2024 eu subi e desci de escada, mas eu 2026 tive a a oportunidade de conhecer o serviço de ônibus, e a experiencia foi rápida. tranquila. Os ônibus saem da estação em Machu Picchu Pueblo regularmente, mas eu recomendo ir na estação ao menos 45 minutos antes do horário do seu ingresso. A viagem é subindo a montanha, fazendo varias curvas, e dura de 25 a 35 minutos.

Os ônibus saem quando estão cheios, e demoram uns 15 minutos entre um e outro (nos primeiros horários do dia podem demorar até 30min entre um e outro). Durante o dia vão subindo e descendo a todo momento.

Eu tinha o ingresso para o primeiro horario, das 6h as 6:45h e peguei o ônibus na estação as 5:35h. Demoramos 34 minutos para subir e já entramos no parque, o ônibus deixa bem na entrada onde mostramos os ingressos.

Para a descida dei muita sorte de apenas sair da ciudadela já entrei na fila do ônibus e ele já saiu. Demoramos 37 minutos da ciudadela + uma caminhadinha até a ponte da cidade, segundo tenho registrado por uma foto na minha galeria. Mesmo sem ter o tempo exato da descida, você pode considerar 35 minutos como um ótimo tempo e suficiente para subir ou descer.

Em resumo com a questão do ônibus, va com antecedência considerando ai uns 45 minutos antes do horário de entrada do seu ingresso, mas não se apegue em horários fijos, porque apesar de regulares, os ônibus vão funcionando no seu ritmo então não precisa estar em uma hora exata na fila.

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Giovana Zanette

Viajante pela América do Sul a 4 anos, criadora do Carona Latina

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