Eu tinha apenas um dia livre para conhecer Belém e queria muito fazer alguma coisa diferente. Queria conhecer uma comunidade ou um projeto que me mostrasse um pouco mais da identidade do Pará. Me recomendaram muito conhecer a Ilha do Combu, mas percebi que as principais atrações da ilha eram os restaurantes. Como eu queria uma experiência mais imersiva, procurei outras possibilidades.

Logo que cheguei ao Terminal Fluvial Turístico Praça Princesa Isabel, encontrei o estande de turismo da Ilha do Combu. Ali, me mostraram várias opções de atividades para conhecer melhor a região. A mais famosa e recomendada foi a visita à fazenda de cacau de Dona Nena, e no final eu adorei muito a experiência, recomendo se você está procurando algo cultural e historico assim como eu.

Como chegar à Ilha do Combu saindo de Belém
para chegar é só pegar um uber ou ônibus municipal até o Terminal Fluvial Turístico Praça Princesa Isabel e logo um dos barcos, que funciona como ônibus circular.

Eu peguei um Uber saindo da Praça da República, em Belém, e em apenas 12 minutos cheguei ao porto. O Uber custou R$ 12 e foi bem rápido. Como eu saí às 9h26, cheguei exatamente as 9h38. Comprei o ingresso do barco ali mesmo na bilheteria e fiquei cerca de 10 minutos no estande de turismo, pedindo informações sobre os lugares que poderia visitar na Ilha do Combu.
O porto tem uma loja com coisas para comer, inclusive opções para tomar café da manhã. Também há cadeiras e espaço suficiente caso você precise esperar pelo barco. Mas, na prática, não esperei muito. Os barcos saem a todo momento. No meu caso, pegue o barco das 10h05. Embarquei e em menos de 30 minutos já estava no Igarapé do Combu. Literalmente, fui direto para o barco, subi e ele já saiu.
Como funciona o barco no Igarapé do Combu?
Uma das coisas que mais me causava dúvida quando as pessoas recomendavam a Ilha do Combu era justamente como chegar aos lugares e escolher o que eu queria visitar. O Igarapé do Combu funciona como uma rua, só que de rio. O barco en realidade é uma lancha rápida e passa por vários restaurantes, flutuantes e outros pontos da ilha. Você só precisa avisar ao barqueiro onde quer descer.
Funcionam praticamente como ônibus de linha. Eles ficam circulando pelo igarapé, indo e voltando de Belém e fazendo viagens entre os restaurantes e flutuantes ao longo do caminho.

Por isso, é importante escolher previamente qual experiência você quer fazer e avisar o barqueiro para descer. Se você quer fazer algo mais imersivo, como visitar a fábrica de chocolate de Dona Nena, você só precisa pedir para descer na fábrica quando o barqueiro perguntar.
Quanto custa o barco para a Ilha do Combu?
Você pode comprar a passagem de ida e volta por R$ 24, ou seja, R$ 12 por trajeto. Eles aceitam cartão de débito ou dinheiro, então é importante ir preparado. Nesse dia, eu estava viajando com dois amigos estrangeiros e o cartão deles funcionava apenas no crédito. Como o crédito não era aceito no barco, tive que comprar as passagens para eles então realmente tem que ter o dinheiro no debito ou em mãos.
A viagem do porto até a fazenda durou cerca de 30 minutos. O barco fez algumas paradas no caminho e parou em três restaurantes para deixar passageiros antes da fábrica. Se quiser conhecer dois lugares do Igarapé, por exemplo, visitar a fazenda de cacau e depois almoçar em um restaurante flutuante, você paga R$ 6 entre um lugar e outro.
Também é possível conhecer restaurantes diferentes, basta pagar R$ 6 de um restaurante para outro. Esse valor é pago diretamente ao barqueiro e pode ser em dinheiro ou Pix, nesse caso você tem que ter internet móvel porque não tem wifi.
Fábrica de chocolate de Dona Nena
A Fábrica de Chocolate de Dona Nena foi o atrativo que mais me chamou atenção na Ilha do Combu, por se tratar de um processo orgânico, feito pela comunidade local, aproveitando a respeitando a materia prima da própria ilha, me deu muita vontade de conhecer e é realmente um trabalho a ser valorizado. Para ter uma experiência mais imersiva e diferente, você pega o barco no porto e pede para descer na fábrica de chocolate, eles a conhecem assim. Ao chegar, o pessoal oferece uma degustação gratuita deliciosa! Depois, você pode escolher entre quatro atividades, que acontecem em horários fixos todos os dias.

Tour Vida Sustentável
Foi o passeio que eu escolhi e também o mais simples das opções. Ele dura cerca de 45 minutos e foi muito legal para entender um pouco mais sobre a fazenda e as árvores que fazem parte da produção.
Fizemos uma caminhada bem curta, de aproximadamente 200 metros, dentro da fazenda. Nossa guia, que é inclusive uma neta de Dona Nena, explicou como funcionam as plantações, mostrou as árvores existentes na propriedade e apresentou diferentes espécies.
A mata é bem aberta e eu achei que haviam poucos mosquitos, então foi uma caminhada bem tranquila e turística mesmo, feita para conhecer as árvores e passar um tempo no meio da produção e da fazenda da Ilha do Combu.
Durante a caminhada, passamos inclusive por uma samaúma, e conseguimos tirar fotos. Foi uma experiência simples, mas realmente valeu muito a pena pra mim, eu queria muito conhecer essa que é conhecida como a arvora mãe da Amazônia. O Tour Vida Sustentável acontece todos os dias às 10h30, 11h30, 15h e 16h e custa R$ 50 por pessoa.
Eu fiz o primeiro grupo do dia, às 10h30, e éramos cerca de sete pessoas. Pelo que percebi, todos ou pelo menos a maioria do mue grupo pagou o tour na hora mesmo, sem fazer reserva antecipada, assim como eu. Eu paguei com cartão de crédito e, na fábrica, o cartão funcionou normalmente e sem taxa extra.
Tour Casa de Chocolate
Se você quer conhecer mais sobre o processo do cacau e ainda provar várias coisas produzidas na fazenda de Dona Nena, o Tour Casa de Chocolate é uma ótima opção. O passeio dura 1 hora e acontece quatro vezes ao dia, às 10h, 12h, 14h e 15h30.
Além de conhecer a fazenda e entender mais sobre a produção, você prova chocolates, café especial, brigadeiro e minibolo. O valor é de R$ 95 por pessoa.
Belém Gastronomia
Outra opção é o Belém Gastronomia, um tour de uma hora totalmente focado na culinária de Belém. A experiência apresenta ingredientes e produtos fundamentais para entender a gastronomia paraense, como tucupi, jambu, maniçoba, farinha de mandioca, cupuaçu, bacuri, açaí, queijo do Marajó e chocolate do Combu, sempre com muita história e identidade paraense.
O tour acontece todos os dias às 10h30, 12h30 e 14h30 e custa R$ 180 por pessoa, já que você sai de lá com a barriguinha cheia hahaha. São 7 mini porções e eu recomendo reservar com antecedência caso queira fazer essa experiência.
Passaporte Combu
O Passaporte Combu é o tour mais completo. A experiência dura 7 horas e inclui banho de rio e almoço ribeirinho. Pelo que entendi, ele deve ser uma mistura das outras três experiências, mas também inclui atividades que me chamaram bastante atenção.
O passeio oferece visitas guiadas sobre bioeconomia e empreendedorismo feminino nas comunidades dos igarapés Combu e Periquitaquara. Também apresenta produtos da floresta feitos no Combu, incluindo as cadeias produtivas das biojoias, do chocolate e da andiroba.
Fiquei com muita vontade de fazer esse passeio, mas não tinha tempo e também não vim preparada para passar tantas horas na ilha. O Passaporte Combu custa R$ 690 por pessoa e tem dois horários de saída: 9h ou 16h. Confesso que não sei exatamente como funciona essa saída das 16h, porque o passeio acabaria tão tarde. Esse também é um tour que recomendo reservar com antecedência.
Como reservar o passeio na Ilha do Combu
Para reservar ou entrar em contato, você pode falar diretamente com:
WhatsApp: +55 (91) 99331-7843
Site: www.vidacabocaturismo.com.br
Instagram: @vidacaboca e @filhadocombu
Dá para visitar a fábrica de chocolate sem fazer um tour?
O flutuante de Dona Nena também, além das opções de tours, uma cafeteria, onde você pode passar uma manhã ou uma tarde. Você pode provar os brigadeiros, chocolates e trufas e simplesmente aproveitar o lugar. Então, se você não quiser fazer nenhuma das quatro experiências, também pode ir apenas para conhecer a fazenda e passar um tempo por ali.

Eles também deixam uma parte da produção visível através de vidros, então é possível observar as meninas trabalhando. É bem interessante. Há ainda um museu, que é simples e pequeno, mas vale a pena visitar caso você não queira fazer nenhum tour extra.

Eu comprei um brigadeiro da floresta, que estava delicioso, e paguei R$ 12. Também provei doce de cupuaçu e diferentes chocolates com 86%, 72% e 64% de cacau na degustação gratuita. Estavam deliciososssss!
A samaúma da Ilha do Combu
Uma das partes mais interessantes para mim foi conhecer a grande árvore que é considerada a arvore mãe da Amazônia: a Samaúma. Eu queria muito conhecer uma e alguns flutuantes tem exemplares de fácil acesso. Na fazenda de Dona Nena, têm uma árvore bem pertinho de onde descemos do barco, mas você deve pagar por um dos tours para ter acesso a ela.

Se for da sua escolha, o caminho é bem guiado e seguro, e gostei bastante da estrutura e é indicado para quem tem dificuldade de locomoção. Finalmente consegui conhecer essa árvore que eu queria tanto ver e que, para mim, é um dos grandes símbolos da Amazônia.
Se você deseja conhecer a arvore e nao quer pagar pelo tour, você pode procurar por restaurantes que também tem fácil acesso a uma dessas arvores e que não cobram pela trilha para conhecer. Eu nao fui, mas se vi que o restaurante ribeirinho é um dos que proporcionam essa experiência.
Como voltar da Ilha do Combu para Belém
Meu grupo das 10h30 terminou a visita às 11h20. Fiquei mais um tempinho na loja de Dona Nena, provei o brigadeiro e depois fui para o porto esperar o barco. E como eu comentei que aqui funciona literalmente como um ônibus de linha fiquei esperando nem dois minutos, e, quando o barco estiva vindo na direção de Belém, dei com a mão para parar.
Na hora de embarcar, você informa se quer ir para outro restaurante ou flutuante do Igarapé da Ilha do Combu ou se já quer voltar diretamente para Belém. No meu caso, o barco chegou e, em aproximadamente 30 minutos, às 12h10, já estávamos novamente no Terminal Fluvial Turístico Praça Princesa Isabel, em Belém. Nesse tempo o barco também parou em dois restaurantes para pegar ou deixar passageiros e continou até Belém. A viagem entre a Ilha do Combu e a cidade é realmente muito rápida.
O que levar para a Ilha do Combu?
Uma coisa muito importante é levar água, porque faz bastante calor.
Também recomendo levar:
- Repelente
- Protetor solar
- Água
- Sapato fechado, principalmente se você pretende fazer algum dos tours
O sapato fechado não é obrigatório, mas eu recomendo para quem vai fazer uma experiência dentro da fazenda.
Horário de funcionamento
O Terminal Fluvial Turístico Praça Princesa Isabel, em Belém, funciona todos os dias das 9h às 19h. Apesar disso, as bilheterias costumam funcionar das 9h às 16h então se planeje para não tem que ficar esperando abrir ou para ficar sem ter como ir. De qualquer forma, recomendo visitar a ilha de manha mesmo ou na hora do almoço.
Já o horario de cada atividades da fazenda de chocolate, como citei acima, tem experiencias que começam desde as 10h, então eu imagino que o flutuante e o café devem abrir por volta das 9h30 quando estaria llegando na ilha os primeiros barcos de Belém.
Quanto eu gastei na Ilha do Combu?
No meu passeio de meio dia, meus gastos foram:
- Uber do centro até o porto: R$ 12
- Barco ida e volta: R$ 24
- Tour Vida Sustentável: R$ 50
- Brigadeiro: R$ 12
- Uber de volta até o Mangal das Garças: R$ 16
Total: R$ 114
Onde comer na Ilha do Combu?
Se você quiser aproveitar a ida à Ilha do Combu para almoçar, algumas opções que me recomendaram foram:
- Com Piscina Restaurante Ribeirinho
- Restaurante Maloca, que é bastante famoso

Como os barcos funcionam circulando pelo igarapé, você pode combinar a visita à fazenda de Dona Nena com um almoço em um dos restaurantes e depois seguir de barco para outro ponto ou voltar para Belém.
Vale a pena conhecer a Ilha do Combu?
Para mim, sim. Eu tinha pouco tempo em Belém e queria fazer algo que fosse além de simplesmente visitar restaurantes. Conhecer a fazenda de Dona Nena me permitiu ter um contato um pouco maior com o território, as árvores, o cacau e uma produção ligada à floresta. O Tour Vida Sustentável foi uma experiência curta e relativamente simples, mas foi exatamente o tipo de passeio que eu estava procurando naquele dia.

Se você procura se conectar com a cultura paraense, provar boa comida, tomar um banho de rio ou conhecer um pouco mais da floresta, encontra todas as opções na ilha. Recomendo muito!