Machu Picchu é uma das sete maravilhas do mundo moderno e, ao mesmo tempo, um dos sítios arqueológicos mais visitados do planeta. Por isso, o governo controla a visita com número limitado de ingressos, horários fixos e circuitos obrigatórios dentro da cidadela.
Em junho de 2024, novas regras passaram a valer para a visitação. Eu estive em Machu Picchu exatamente nesse mês, logo quando o novo decreto começou a funcionar, e vivi de perto as mudanças no acesso e na organização dos percursos.
Neste artigo, eu explico como visitar Machu Picchu hoje, de forma clara e atualizada. Vou mostrar onde fica, como chegar, como comprar os ingressos e como funcionam os circuitos. Também explico por que a logística até lá é parte fundamental do planejamento, já que a visita depende de horários definidos e de um número limitado de entradas por dia.
Onde fica Machu Picchu?
Machu Picchu fica no coração dos Andes peruanos, a cerca de 2.430 metros de altitude, em uma região montanhosa, isolada e de difícil acesso. Cercada por picos imponentes, a antiga cidade inca, hoje uma das sete maravilhas do mundo moderno, está em um dos cenários geográficos mais impressionantes do Peru.
Os incas escolheram esse lugar de forma estratégica. Eles construíram a cidadela em uma área alta, protegida e afastada dos grandes vales. Por isso, até hoje, entender a localização de Machu Picchu ajuda a compreender sua importância política, simbólica e defensiva.
Para chegar até lá, você precisa sair de Cusco e combinar diferentes meios de transporte. Primeiro, é necessário seguir até Águas Calientes, também chamada de Machu Picchu Pueblo. A partir dali, você acessa o Santuário Histórico de Machu Picchu no dia da visita.

Como Chegar a Machu Picchu?
Hoje, é possível chegar a Machu Picchu de várias maneiras. No entanto, em todos os casos, você sempre vai precisar combinar diferentes meios de transporte ao longo do caminho.
A forma mais comum começa em Cusco. Primeiro, você pega um ônibus ou transfer até Ollantaytambo. Depois, segue de trem até Águas Calientes, a base de acesso ao santuário. Esse é o trajeto mais usado por quem busca praticidade e menos tempo de deslocamento.
Por outro lado, também existe a opção de chegar por estrada. No tour conhecido como Machu Picchu by car, você viaja de carro por trechos da cordilheira e, ao final, faz uma caminhada até Águas Calientes. Essa alternativa costuma ser mais econômica e atrai quem prefere uma experiência mais aventureira.
Além disso, Machu Picchu também pode ser alcançada caminhando, por meio de diferentes trilhas de trekking. Entre as mais conhecidas estão o Caminho Inca, o Salkantay Trek e a rota da Hidroelétrica. Cada uma oferece tempos, níveis de esforço e paisagens diferentes, mas todas terminam conectando você à mesma base: Águas Calientes.
Ou seja, apesar de existirem vários caminhos, a lógica é sempre a mesma. Chegar a Machu Picchu exige planejamento e uma boa combinação de transportes e trilhas ao longo do percurso.
Machu Picchu Pueblo
O destino final e a cidade base para conhecer a cidadela é Aguas Calientes, também conhecida como Machu Picchu Pueblo. Com cerca de 1.200 habitantes, clima tropical e paisagens absolutamente incríveis a cidade tem varias opções de hotéis e restaurantes, embora seja bem pequena no meio das montanhas.

Mas a logística não termina em Águas Calientes. Ao chegar na cidade, você ainda precisa decidir como vai subir até a entrada de Machu Picchu. Por um lado, você pode escolher a opção mais confortável e pegar o ônibus oficial que sobe direto até o portão do sítio arqueológico. Você deve subir apenas no dia e horário do seu ingreso.
Por outro lado, se você prefere uma experiência mais econômica e mais imersiva, pode fazer a subida a pé, pelas escadarias que levam até o topo da montanha onde está a cidade inca.
Além disso, se a sua ideia for visitar Machu Picchu de forma independente, organizar todo o passeio por conta própria é totalmente possível. E, na prática, isso também permite economizar alguns dólares no planejamento da viagem.
Ingressos Machu Picchu
Desde junho de 2024, o acesso a Machu Picchu passou a ser mais controlado. A entrada funciona com horário marcado, número limitado de visitantes e circuitos definidos. Por isso, hoje não basta apenas comprar o ingresso, é preciso escolher exatamente como você quer fazer a visita.
Os principais tipos de ingresso são:
- Ingresso geral
Dá acesso à cidadela de Machu Picchu, seguindo o circuito selecionado no momento da compra. - Ingresso Machu Picchu + Montanha Machu Picchu
Além da visita à cidadela, permite subir a Montanha Machu Picchu, de onde se tem uma vista mais ampla e menos disputada do sítio. - Ingresso Machu Picchu + Huayna Picchu
Inclui a visita à cidadela e a subida ao Huayna Picchu, a montanha mais famosa que aparece nas fotos clássicas.
Como Machu Picchu tem limite diário de entradas, se a sua viagem tem datas fechadas, o melhor é comprar o ingresso com antecedência, seja pelo site oficial ou por meio de uma agência.
Ainda assim, existe a possibilidade de comprar os chamados ingressos emergenciais. São 1000 ingressos vendidos apenas em Águas Calientes, para o dia seguinte. Eu também escrevi um texto completo contando como comprei meu ingresso de última hora.
Informações Atualizadas
Com as novas regras de visitação, ficou ainda mais importante chegar a Machu Picchu bem informado para evitar problemas na entrada e durante o percurso.
O decreto de junho de 2024 é, até hoje, o documento mais recente que regula a visitação ao sítio. Eu estava trabalhando em uma agência peruana exatamente nesse período e acompanhei de perto a implementação das novas regras. A seguir, te explico, de forma prática, quais foram as principais mudanças.
Circuitos de Machu Picchu
Com o novo decreto, as rotas internas de Machu Picchu foram reorganizadas. Antes, existiam quatro circuitos. Hoje, a visita passa a funcionar com três circuitos principais, que se desdobram em 10 rotas diferentes, todas com entrada controlada.
Essa mudança impacta diretamente a sua experiência, porque você já precisa escolher o circuito no momento da compra do ingresso.
Circuito 1 – Panorâmico
Esse circuito é voltado, principalmente, para quem quer as vistas mais abertas da cidadela. Ele passa pelas plataformas superiores e pelos mirantes, de onde saem as fotos mais amplas de Machu Picchu. No entanto, ele não entra na parte urbana da cidade inca.

Circuito 2 – de Llaqta
Esse é, na prática, o circuito mais completo. Ele combina uma plataforma panorâmica com a entrada na parte urbana da cidade. Ao longo do percurso, você caminha pelas principais praças, setores e construções de Machu Picchu.
Por isso, se você quer uma visita mais equilibrada, com vista e imersão histórica, esse costuma ser o melhor circuito.

Circuito 3 – da Realeza
Esse circuito percorre setores específicos da área urbana, tradicionalmente associados à nobreza inca. Durante o trajeto, você visita templos e antigas residências de destaque, o que permite entender melhor como funcionava a vida cotidiana e a organização social dentro da cidade.
Por outro lado, ele não passa pelas plataformas panorâmicas.
Ainda assim, é uma ótima opção para quem tem mais interesse na arquitetura, nos detalhes construtivos e na história do sítio.

No geral, essas mudanças foram criadas para distribuir melhor o fluxo de visitantes dentro da cidadela. Assim, as autoridades conseguem proteger o patrimônio e, ao mesmo tempo, tornar a visita mais organizada e fluida.
Tempo de permanência
Com as novas regras, o tempo de permanência em Machu Picchu também passou a ser controlado. Hoje, cada visita tem uma duração definida, que varia entre 2 horas e 30 minutos e até 4 horas, dependendo do circuito escolhido.
As autoridades adotaram essa medida para reduzir o impacto do grande volume de visitantes sobre as estruturas e sobre o ambiente natural do santuário. Ao mesmo tempo, o controle de tempo ajuda a organizar melhor os fluxos dentro da cidadela.
Na prática, a ideia é simples: proteger Machu Picchu e, ao mesmo tempo, tornar a experiência mais equilibrada, fluida e sustentável para quem visita.
Tempo de Tolerância para Entrada
Com as novas regras, você precisa respeitar rigorosamente o horário de entrada indicado no seu ingresso. Ainda assim, existe uma tolerância de até 45 minutos.
Na prática, funciona assim: se o seu bilhete estiver marcado para 7h, você pode entrar até 7h45. Depois desse horário, a equipe bloqueia o acesso e o ingresso perde a validade.
Por isso, é fundamental se organizar com antecedência e chegar cedo à entrada de Machu Picchu. Assim, você evita imprevistos e garante uma visita mais tranquila, já dentro das novas regras de acesso.
Minha experiencia
Comprei meu ingresso no dia anterior, em Águas Calientes, escolhi o circuito 2, no primeiro horário, e foi uma decisão essencial para a experiência. Consegui entrar com menos gente, pegar o nascer do sol e caminhar com mais sombra e tranquilidade. Ao longo da manhã, o sítio ficou visivelmente mais cheio e mais quente.
Hoje, o número de visitantes por dia é limitado. Por isso, se você tem datas fixas, vale muito a pena garantir o ingresso com antecedência. Eu fiz a visita de forma independente, sem agência. É totalmente possível, mas exige atenção aos horários, aos transportes e ao circuito escolhido.
Outro ponto fundamental é o respeito às regras ambientais. Não é permitido sair das rotas, tocar nas estruturas ou deixar lixo. Machu Picchu é um sítio extremamente frágil. Também é importante considerar a altitude, já que a cidadela está a mais de 2.400 metros.
No meu caso, a experiência foi ainda mais intensa. Eu decidi chegar a Machu Picchu caminhando. No dia anterior caminhei cerca de 30 km até Aguas Calientes por 7 horas. Ao chegar na cidade, comprei mei ingresso e dormi no pueblo. No próximo dia às 5 da manhã, comecei a subida a pé pelas escadarias. Levei aproximadamente uma hora e meia até a entrada. Foi cansativo, mas uma das experiências mais marcantes da minha vida.
Por isso, vá preparado. Leve água, protetor solar e snacks. Vale a pena demais, uma experiencia inesquecível!