Choquequirao por conta própria: meu roteiro de 4 dias

Minha viagem a Choquequirao não teve muito planejamento. Não reservei as hospedagens com antecedência: simplesmente chegava aos lugares e escolhia onde dormir na hora. Fiz o trekking em quatro dias e três noites, com um primeiro dia inteiro dedicado ao deslocamento de carro até Capuliyoc e o último dia dividido entre quatro horas e meia de caminhada, aproximadamente, e o transporte de volta a Cusco.

Comecei a travessia no dia 14 de junho e terminei quatro dias depois, tendo caminhado por montanhas, enfrentado subidas intermináveis e conhecido um dos sítios arqueológicos mais impressionantes do Peru.

Apesar de ter feito tudo sem reservar as hospedagens, eu tinha os dias um pouco contados. Por isso, não podia perder muito tempo esperando transportes compartilhados mais econômicos ou caminhar em um ritmo muito tranquilo. Essa limitação influenciou bastante minhas decisões ao longo do percurso.

Neste relato, conto como foi fazer o trekking a Choquequirao por conta própria, com os horários de cada etapa, as hospedagens em que fiquei, os transportes que utilizei, os gastos e as recomendações que faria para quem pretende conhecer esse lugar. Um verdadeiro GUIA COMPLETO de toda a minha experiencia.

Meu roteiro de trekking a Choquequirao em 4 dias

Meu percurso ficou assim:

  • Dia 1: Cusco – Curahuasi – Capuliyoc, todo de carro.
  • Dia 2: Capuliyoc – Marampata, aproximadamente 17 km de caminhada.
  • Dia 3: Marampata – Choquequirao – Chiquisca, aproximadamente 20 km de caminhada.
  • Dia 4: Chiquisca – Capuliyoc, aproximadamente 12 km de caminhada, seguido do retorno a Cusco de van.

O trekking pode ser feito em mais dias, com um ritmo mais tranquilo e mais tempo para aproveitar as paisagens e as ruínas. Eu precisei adaptar o roteiro à quantidade de dias que tinha disponível.

Dia 1: Como ir de Cusco a Capuliyoc

Comecei a viagem no dia 14 de junho, às 9h46, saindo do centro de Cusco em direção ao ponto de partida dos carros compartilhados para Curahuasi. Chegamos às 10h em ponto à avenida Arcopata. O ponto de embarque fica em um estacionamento com uma placa bem sinalizada, entre a calle Fierro e a avenida Alta. Como minha hospedagem estava muito perto, a apenas quatro minutos de distância, fui caminhando até lá.

Eu queria ter saído mais cedo, e essa é uma das primeiras recomendações que deixo para quem pretende fazer o mesmo percurso. Como saímos de Cusco às 10h, no último trecho tivemos que pegar um táxi por falta de outras opções e pelo medo de não conseguir chegar a Capuliyoc antes do fim do dia.

A viagem de Cusco a Curahuasi custou 25 soles por pessoa. Os carros compartilhados têm oito lugares e não possuem um horário fixo de saída: partem quando estão completos. Tive muita sorte, porque cheguei justamente quando faltavam duas pessoas para preencher as últimas vagas. Meu companheiro e eu entramos, completamos o carro e já partimos com todos os lugares ocupados.

De Curahuasi a Capuliyoc

Quando chegamos a Curahuasi, procuramos um segundo carro compartilhado até Cachora, mas não tivemos sucesso. Subimos até o mercado municipal e ficamos buscando outras opções de transporte.

No final, tivemos que pegar um táxi particular. Como já pagaríamos pelo transporte, pedimos ao motorista que nos deixasse diretamente em Capuliyoc. Assim, evitaríamos precisar encontrar outro veículo no caminho ou correr o risco de não conseguir chegar naquele mesmo dia.

Apesar de ter feito a viagem sem planejamento prévio, eu tinha os dias um pouco contados. Por isso, não podia perder muito tempo esperando transportes compartilhados mais econômicos.

No final, valeu a pena. Pagamos 120 soles pelo táxi de Curahuasi até Capuliyoc, divididos entre duas pessoas. A viagem durou aproximadamente mais duas horas, e chegamos a Capuliyoc às 14h33.

Se soubéssemos que a descida até Chiquisca era relativamente rápida, com certeza teríamos continuado a caminhada naquele mesmo dia. Assim, teríamos deixado o segundo dia um pouco mais tranquilo.

Como não sabíamos exatamente como seria o percurso, decidimos ficar no camping de Capuliyoc, almoçar e descansar para começar a caminhada na manhã seguinte.

Apesar de termos caminhado bastante no segundo dia, não me arrependo dessa decisão. Um dos campings mais bonitos em que dormimos foi justamente o de Capuliyoc. Foi uma experiência que valeu muito a pena para a primeira noite da viagem.

Primeira noite em Capuliyoc

Recomendo de olhos fechados o camping em que ficamos em Capuliyoc. Pagamos 60 soles por uma cabana privativa para duas pessoas, que era linda demais.

O camping tinha o mirante com a vista mais bonita entre todos os acampamentos em que ficamos, além de uma piscina lindíssima, que deve ser deliciosa durante o verão.

Também decidimos almoçar no próprio camping. Pagamos 20 soles por pessoa por uma refeição que incluía sopa de entrada, prato principal e chá para acompanhar. Tomamos banho e, apesar de a estrutura ter um estilo mais roots, havia água quente e tudo de que precisávamos.

Depois de comer e descansar, fomos dormir cedo. O camping fica cercado por montanhas, e escurece bastante cedo por ali. Às 18h, já estávamos deitados, prontos para dormir.

Pelo horário que chegamos, não pudemos carregar o celular, já que os acampamentos são a luz solar e tem pouco armazenamento de energia. Recomendo levar power bank e economizar a bateria do celular o maximo que puder.

Dia 2: de Capuliyoc a Marampata

O segundo dia era o momento do vamos ver: finalmente começaríamos a caminhada com tudo rumo a Choquequirao. Acordamos às 5h50 e começamos o trekking às 6h da manhã, em ponto.

Preferimos tomar café da manhã mais tarde, durante uma das paradas. Levamos alimentos para o café da manhã e para comer entre o almoço e o jantar, porque queríamos ter sempre alguma coisa disponível na mochila.

Quanto custa a entrada de Choquequirao?

Compramos o ingresso para o parque naquela mesma manhã, antes de começar a caminhada. Pagamos 60 soles por pessoa estrangeira. Ao lado do camping de Capuliyoc existe uma pequena casinha de informação turística que vende os ingressos.

Diferentemente de Machu Picchu, não precisamos nos preocupar com uma reserva antecipada. Compramos a entrada ali mesmo, na hora, sem encontrar limite de disponibilidade naquele dia.

Isso não significa que não exista turismo em Choquequirao. Encontramos várias pessoas e grupos de agências ao longo do caminho, fazendo o trekking. Ainda assim, a quantidade de visitantes parece pequena diante da magnitude do percurso e da dimensão do sítio arqueológico.

De Capuliyoc a Chiquisca: duas horas de descida

Começamos o primeiro trecho da trilha, que é praticamente todo de descida. Em uma hora e meia, já estávamos em Cocamasana. Seguimos caminhando até Chiquisca, onde paramos às 8h25, depois de exatas duas horas de percurso. Ou melhor, duas horas de pura descida!

Na entrada do pueblo, paramos para comer alguma coisa e tirar os quilos de roupas de frio com que havíamos começado o dia hahaha. A essa hora, o sol já estava batendo mais forte e deu calor. Conforme descemos, a trilha fica cada vez mais quente, até porque vamos nos aproximando do nível do rio.

Depois de comer e guardar as roupas de frio, seguimos descendo de Chiquisca até a ponte, o último trecho de descida antes da grande subida do dia. Nossa ideia era continuar pelo caminho enquanto o corpo aguentasse. Quando sentíssemos que estávamos muito cansados ou que já estava ficando tarde, procuraríamos um lugar para parar.

Eu não imaginava que faria o trecho de Capuliyoc a Chiquisca tão rapidamente. Inicialmente, pretendíamos dormir em Chiquisca na segunda noite, mas, como chegamos às 8h25 da manhã, decidimos continuar.

Eu estava um pouco preocupada com a distância que conseguiria percorrer. E se me cansasse demais e não conseguisse chegar ao próximo acampamento enquanto ainda houvesse luz? Hahaha. Chegamos à ponte às 9h03 e seguimos confiantes.

De Chiquisca a Santa Rosa: começo da subida

Depois de Chiquisca, existe um ponto muito importante a considerar: o próximo acampamento é Santa Rosa, e o caminho até lá já exige uma subida braba.

Por isso, minha recomendação é continuar somente se ainda for bem cedo e você estiver com energia para subir. Caso contrário, é melhor dormir em Chiquisca e continuar no dia seguinte.

Nós fomos muito bem na subida. Chegamos a Santa Rosa Baixa às 12h e seguimos até Santa Rosa Alta bem rapidamente. Foi uma surpresa e uma superação! Apesar disso, começamos a nos perguntar se conseguiríamos subir até Marampata ou se seria melhor parar por ali e dormir.

Descansamos um pouco. Sinceramente, não gostei muito da opção de hospedagem que encontramos em Santa Rosa Alta. Por isso, estudamos o mapa para avaliar se ainda dava tempo de continuar subindo até o próximo acampamento. Foi às 13h que decidimos seguir e continuar caminhando até Marampata.

E foi pesado, viu? Não vou mentir. Sofri um pouquinho para terminar esse trecho, porque a subida é superíngreme, cheia de zigue-zagues. Eu estava com minha mochila de oito quilos, e foi realmente uma grande superação.

No final, até dei uma choradinha. Eu pensava que estava chegando, que estava chegando, mas as subidas infinitas em zigue-zague nunca terminavam. Hahaha.

Meu aplicativo offline para acompanhar a trilha

Durante a caminhada, consegui acompanhar o percurso offline pelo aplicativo Maps.me, que uso desde o começo da minha vida mochileira. É um aplicativo muito bom. Ele mostra várias trilhas, inclusive algumas menos conhecidas, além de ruas, supermercados, hotéis e restaurantes. Para mim, é um mapa muito completo e, em alguns lugares, até mais atualizado do que o Google Maps.

Você pode baixar o mapa da região antes da viagem e acessar as informações rapidamente, mesmo sem internet. No trekking de Choquequirao não foi diferente. A trilha estava marcada com informações de altimetria e distância.

Como as curvas são muito próximas umas das outras e bastante íngremes, às vezes você está subindo e tem a impressão de que está chegando ao destino. Mas, quando consulta o mapa e vê quanto tempo ainda falta, acaba levando um susto.

Foi o que aconteceu comigo. No final da subida, essa diferença entre a impressão de estar perto e a distância real começou a me deixar agoniada.

A trilha é vazia ou mais turistas fazem o trekking?

Quando chegamos a Capuliyoc, encontramos dois peruanos que tinham planejado fazer o mesmo caminho. Na realidade, eles estavam decididos a caminhar de Capuliyoc até Marampata no segundo dia, enquanto nós ainda tínhamos dúvidas se conseguiríamos chegar ao último acampamento, percorrendo praticamente todo o trekking daquele trecho em apenas um dia.

No final, nos encontramos várias vezes e acabamos fazendo boa parte do caminho juntos. O que concluímos entre nós quatro é que não dá para calcular o grau de dificuldade do percurso ou pensar que “falta pouco” considerando apenas a quilometragem.

Um quilômetro nas descidas podia ser feito em 20 minutos. Nas subidas, podia levar pelo menos uma hora. Essa diferença muda completamente o planejamento de cada dia. Por isso, não recomendo decidir até onde caminhar considerando somente a distância. É preciso levar em conta o desnível, o cansaço acumulado e o tempo de luz disponível.

Segunda noite em Marampata

Depois de muita caminhada, finalmente chegamos ao mirante de Marampata às 16h34. Foi uma chegada perfeita, porque o sol estava começando a baixar. Recomendo muito o lugar em que dormi em Marampata. Pagamos 50 soles por uma cabana para duas pessoas, que era linda.

O acampamento tinha uma vista preciosa das montanhas, coisa de cinema. Também aprovamos a comida. Optamos por jantar ali e pagamos 20 soles por pessoa. A refeição incluía uma sopa deliciosa, o prato principal e chá.

Naquela noite, confesso que não tomei banho. Chegamos praticamente no limite do horário para organizar a mochila, jantar e nos preparar para o dia seguinte. Já estava muito tarde, escuro e frio, e fiquei com medo de ficar doente. Resolvi a situação com um banho de gato usando lenços umedecidos.

Minha bateria do celular acabou um pouco antes de chegar a Marampata, por isso não tenho muitas fotos, mas aqui foi possivel carregar um pouco o rtelefone antes de dormir.

Como havíamos comprado lanchinhos, frutas, pão e queijo para preparar sanduíches, aproveitei para organizar tudo o que levaria no dia seguinte. Todas as noites, eu arrumava a mochila para deixar a comida e os outros itens facilmente acessíveis.

Também organizei minha mochila pequena, porque nossa ideia era não levar a mochila grande até Choquequirao. Pretendíamos deixá-la na hospedagem e carregar apenas uma mochila pequena com o necessário, já que passaríamos novamente por Marampata na volta.

Depois de organizar tudo e comer, deitamos cedo novamente. Fizemos algumas massagens para aliviar a tensão e relaxar os músculos que havíamos usado durante o dia. Hahaha.

Sobre horário e iluminação

É muito importante prestar atenção ao horário durante o trekking. Além de terminar a caminhada antes de o sol se pôr, chegar ao acampamento enquanto ainda há luz facilita muito a organização das coisas, o banho e as refeições.

As cabanas e o povoado têm pouca iluminação. No camping em que fiquei, havia luz apenas dentro da cabana. Para ir ao banheiro, ao refeitório ou circular pelo acampamento, uma lanterna fazia muita falta.

Por isso, considero a lanterna de cabeça um item superimportante nessa viagem. Também pode ser útil levar uma lanterna convencional. Na verdade, se você tiver uma de cada, melhor ainda.

Não precisa deixar a mochila pesada carregando várias lanternas, mas ter pelo menos uma de cabeça é fundamental, tanto para os acampamentos quanto para o caso de o sol estar baixando e você ainda precisar caminhar. Tomara que sejam apenas alguns metros, e não quilômetros! Hahaha.

Dia 3: Choquequirao e volta a Chiquisca

No terceiro dia de aventura, finalmente chegou o momento de conhecer Choquequirao, o lugar que nos levou até ali. Estávamos superrr contentes e felizes por termos conseguido chegar até lá!

Saímos do pueblo de Marampata às 6h06, em direção ao sítio arqueológico. Levamos 30 minutos para chegar à placa de boas-vindas a Choquequirao e chegamos às ruínas propriamente ditas às 8h02. Fizemos os últimos cinco quilômetros em exatas duas horas.

Como foi conhecer Choquequirao

Choquequirao é lindíssimo! As ruínas estão muito bem preservadas, e realmente vale a pena todo o esforço para chegar até lá. Fiquei apaixonada pelo lugar. Quando chegamos, estávamos basicamente sozinhos lá em cima.

Logo depois, chegaram os dois peruanos que havíamos encontrado durante os dois dias anteriores. Cerca de 30 minutos mais tarde, chegaram um casal e outros dois viajantes. Éramos, no máximo, dez pessoas, contando com o fiscal.

Foi uma oportunidade única e muito bonita de aproveitar o sítio arqueológico com calma, poucas pessoas ao redor e a possibilidade de apreciar a natureza e o silêncio.

Assim que chegamos, o fiscal nos cobrou o ingresso para permanecer no sítio. Isso reforça a importância de comprar a entrada no primeiro dia de caminhada e estar preparado para apresentá-la durante a visita.

Quais setores visitar nas ruínas de Choquequirao?

Choquequirao está dividido em vários setores. É possível conhecer todos em um dia, mas recomendo reservar aproximadamente quatro horas para a visita.

Minha recomendação para aproveitar bem e conhecer tudo é deixar um dia dedicado exclusivamente ao sítio arqueológico. A ideia seria sair bem cedo, aproveitar as ruínas e conhecer todos os setores, voltar para Marampata e dormir no mesmo acampamento. Assim, você pode começar o caminho de volta somente no dia seguinte.

Eu não tinha muitos dias disponíveis e precisava terminar o trekking dentro de um prazo limitado. Por isso, optei por ficar duas horas e meia nas ruínas, conhecer dois setores e voltar para Marampata.

Os setores que anotei para a visita são:

  • Mirador Ushnu.
  • Setor Lhamas.
  • Plaza Principal.
  • Qolqas.
  • Piki Wasi.

Eu fiquei pela praça principal e subi até o mirador Ushnu, que considero imperdível. Sério, é o ponto mais bonito para ver as ruínas de longe!

É possível visitar as ruínas até as 16h30. Sinceramente, não consigo confirmar o horário de abertura.

De Choquequirao a Marampata e Santa Rosa Alta

Saímos de Choquequirao às 10h30, em direção a Marampata, para pegar nossas mochilas e continuar até Chiquisca. Chegamos ao acampamento às 11h40 e apenas carregamos as mochilas novamente para seguir viagem. Até Santa Rosa Alta, levamos uma hora e 20 minutos descendo. Chegamos às 13h, com bastante fome.

Decidimos almoçar ali, porque o lugar me pareceu mais confortável do que Santa Rosa Baixa. Por isso, preferimos parar em Santa Rosa Alta em vez de descer um pouco mais antes de comer. A comida estava uma delícia!

Nas hospedagens ao longo do trekking, não encontramos cardápios com várias opções. Os responsáveis servem o que está preparado naquele dia.

Naquele almoço, serviram filé de frango, salada e uma mistura de arroz com legumes picados. Perguntei se a senhora poderia trocar o acompanhamento por batata frita, e ela preparou as batatas para acompanhar o frango. Estava delicioso! A senhora já espera os visitantes com a comida pronta, então a parada para almoçar não toma muito tempo.

De Santa Rosa a Chiquisca: a última subida do dia

Depois de comer, esperamos um pouco antes de voltar a caminhar. Começou a garoar, mas continuamos pelo caminho. Passamos por Santa Rosa Baixa bem rapidamente, em cerca de 15 minutos de descida, e seguimos diretamente até a ponte. Chegamos ao ponto mais baixo da trilha às 15h.

Confesso que fiquei um pouco preocupada, porque o próximo acampamento ficava em Chiquisca e já estava ficando tarde. Agora, precisávamos enfrentar uma grande subida para chegar até lá. O chuvisco parou, e a capa de chuva das mochilas funcionou muito bem. Nada ficou molhado.

O sol desaparece cedo atrás das montanhas. Por volta das 17h, já começa a escurecer. Por isso, subir até Chiquisca no fim da tarde exigiu que caminhássemos com um pouco de pressa. Chegamos às 18h e, assim que alcançamos o acampamento, já estava tudo bem escuro.

Terceira noite em Chiquisca

Escolhemos uma hospedagem em Chiquisca. No meu relato do dia, anotei o valor de 45 soles para duas pessoas. Na lista final de gastos, porém, registrei 45 soles para duas pessoas, então é necessário confirmar qual foi o valor correto. Tomamos banho quente, por 2 soles por pessoa e esperamos o jantar ficar pronto.

Para aquela noite, serviram macarrão com molho de tomate e champignon. Estava delicioso! A refeição também incluía uma sopa, e serviram pipoca de entrada enquanto esperávamos o prato principal. O jantar custou 20 soles por pessoa.

Dormimos cedo novamente para acordar cedo e fazer a última subida no dia seguinte. Nosso corpo já estava bem cansado e dolorido, mas precisávamos guardar toda a energia restante para a subida final, que seria a mais difícil e íngreme do percurso.

Dia 4: de Chiquisca a Capuliyc e Cusco

A última etapa do trekking foi de Chiquisca a Capuliyoc. E eu sofri bastante! Confesso que pensava que seria muito mais fácil do que realmente foi. Levantamos às 5h50, como nos outros dias, arrumamos tudo e saímos às 6h em ponto do acampamento para começar a subida.

No início, o caminho é relativamente tranquilo. Fazemos as primeiras subidas em zigue-zague, e o quilômetro seguinte é mais reto, embora continue subindo aos poucos. Passamos por Cocamasana e compramos água, porque a nossa havia acabado.

Depois de duas horas de caminhada, chegou o terror do dia: a última subida em zigue-zague. Ela é monstruosa. Ou pelo menos meu cansaço a enxergou assim! Hahaha. As subidas são bem íngremes e largas, então precisei parar bastante e avançar bem devagarinho.

Cuidado com a escolha do horário

Se eu tivesse uma noção melhor de quanto tempo demoraria para completar o trecho, teria saído mais cedo, talvez às 4h da manhã, para evitar o sol mais forte. A partir das 8h30, o sol começou a bater diretamente nessa parte da trilha. Por isso, continuei caminhando com corta-vento e boné para não me queimar tanto, mesmo sentindo calor.

Também tivemos um problema com a água, que estava acabando. Precisei racionar o que restava até terminar a trilha. Como havia feito o caminho de Capuliyoc a Chiquisca descendo no primeiro dia, quando levei apenas duas horas, fiquei surpresa com a diferença de tempo na direção contrária.

A subida de Chiquisca a Capuliyoc levou quatro horas e meia, mais que o dobro do tempo da descida! Chegamos a Capuliyoc às 10h20, com sol, cansaço, bolhas nos pés e sem água, mas com muita, muita felicidade por termos completado aquele trekking maravilhoso.

Tivemos a oportunidade de conhecer um lugar incrível e escondido, com ruínas originais e tão particulares, basicamente sem turistas, vistas impressionantes e paisagens que nos acompanharam durante dias de subidas e descidas de montanhas. Não havia nada mais gratificante do que isso!

De Capuliyoc a Cusco

Mas o desafio ainda não tinha acabado. Precisávamos descobrir como voltaríamos a Cusco, já que a logística do transporte na ida havia sido um pouco incerta.

Quando chegamos ao camping de Capuliyoc, onde havíamos dormido no primeiro dia, tivemos a sorte de encontrar um grupo de uma agência chegando de van para começar o circuito. As vans turísticas costumam deixar os grupos em Capuliyoc por volta das 10h da manhã. Depois, os motoristas voltam para Cusco.

Pelo que observei, esse não parece ser um serviço regular de transporte oferecido pelas agências. Não encontrei um serviço comercial específico de transporte de ida e volta a Capuliyoc. Porém, alguns motoristas oferecem levar passageiros na van, já que fariam o trajeto de volta à cidade praticamente sozinhos.

Eles ficam por ali até, no máximo, 11h. Por isso, é importante se programar para tentar chegar nesse intervalo de tempo e conseguir uma vaga. Se não encontrar uma van disponível, será necessário fazer o mesmo caminho da ida: tentar conseguir transporte até Cachora ou Curahuasi e, de lá, outro veículo para Cusco.

Tivemos sorte novamente. Chegamos justamente quando a van estava disponível e voltamos eu, meu companheiro e outro estrangeiro que havia chegado antes de nós. Pagamos 70 soles por pessoa.

A viagem de retorno a Cusco foi bastante cansativa, com aproximadamente sete horas de duração. O motorista nos deixou perto da praça São Francisco. Assim terminou nossa jornada de caminhada, logística, muito esforço físico e um dos lugares mais lindos em que já estive.

Informações importantes antes de fazer o trekking a Choquequirao

Depois dessa experiência, considero importante entender alguns pontos antes de organizar a viagem.

O trekking pode durar mais dias. Existem cinco bases onde é possível dormir e até sete áreas de camping para quem leva a própria barraca. Assim, você pode distribuir melhor as caminhadas e aproveitar o percurso com mais calma.

O caminho tem muitas subidas e descidas. O desnível é considerável, e é interessante ter alguma experiência em montanha para conseguir manter um bom ritmo durante a caminhada.

As hospedagens oferecem comida. Algumas aceitam cartão, mas é melhor levar dinheiro em espécie, em soles, para não depender dessa possibilidade.

O ingresso pode ser comprado no próprio dia. Na minha experiência, compramos a entrada ao lado do camping de Capuliyoc, sem reserva prévia ou limitação de disponibilidade. Recomendo, porém, confirmar as regras vigentes antes da viagem.

O transporte depende da disponibilidade. Os carros compartilhados partem quando estão completos, e a possibilidade de conseguir uma van de retorno a Cusco depende de encontrar um motorista com lugares disponíveis.

É importante chegar aos acampamentos antes de escurecer. Além de terminar a caminhada com mais segurança, você terá tempo para organizar suas coisas, tomar banho e jantar.

Minhas recomendações pessoais para o trekking

Depois de quatro dias de caminhada, estas são as recomendações que faria para quem pretende conhecer Choquequirao.

  • Durma pelo menos uma noite em Capuliyoc e outra em Marampata. Os dois lugares têm vistas incríveis, e vale a pena aproveitar os acampamentos. Dormir em Marampata também facilita a visita às ruínas no dia seguinte.
  • Leve papel higiênico. É um item simples, mas importante para ter na mochila durante o percurso.
  • Prefira repetir roupas a carregar uma mochila pesada. Eu estava com uma mochila de oito quilos e senti bastante o peso durante as subidas. É melhor levar o necessário e evitar coisas que você não vai usar.
  • Leve repelente e roupas compridas. Os mosquitos podem incomodar durante a caminhada, então vale se proteger.
  • Leve dinheiro em espécie. Tenha soles suficientes para pagar as hospedagens, refeições, ingresso, água e transportes. Não conte com a possibilidade de pagar tudo com cartão.
  • Leve uma lanterna de cabeça. Ela é fundamental nos acampamentos com pouca iluminação e pode ajudar caso você termine a caminhada perto do anoitecer.
  • Baixe um mapa offline antes de sair de Cusco. Usei o Maps.me durante toda a caminhada e considero muito útil ter acesso ao mapa mesmo sem internet.
  • Leve água suficiente. No último dia, nossa água estava acabando durante a subida. Planeje as reposições e não subestime a quantidade necessária.
  • Não calcule o percurso apenas pela quilometragem. Um quilômetro de descida pode levar 20 minutos, enquanto uma subida pode exigir pelo menos uma hora.
  • Se puder, reserve um dia inteiro para as ruínas. Eu precisei visitar apenas parte de Choquequirao porque tinha poucos dias disponíveis. Com mais tempo, você pode conhecer todos os setores e dormir novamente em Marampata antes de começar o retorno.

O que levei para comer durante o trekking a Choquequirao

Para os lanches e as refeições que fizemos ao longo dos quatro dias, compramos:

  • Alguns chocolates tipo bombom.
  • Uma garrafa de água de três litros. Recomendo levar uma por pessoa.
  • Quatro maçãs.
  • 90 g de queijo.
  • 90 g de presunto.
  • Pão de forma, suficiente para aproximadamente oito sanduíches.
  • Dois pacotes de atum, que acabamos não comendo.
  • Bolachas doces e salgadas.
  • Duas bananas.
  • Três mexericas.
  • Um pacotinho de amendoim.
  • Seis bolinhos individuais de chocolate.

O total das compras foi de 73,80 soles, aproximadamente R$ 130 na conversão que fiz na época.

Como levamos pão, queijo e presunto, conseguimos preparar sanduíches para comer ao longo da trilha. Também tínhamos frutas, bolachas e outros lanches para comer entre as refeições.

Todas as noites, eu organizava a mochila para deixar os alimentos facilmente acessíveis no dia seguinte. Essa organização ajudava bastante, principalmente porque começávamos a caminhar cedo e nem sempre parávamos para tomar café da manhã antes de sair.

Quanto gastei para fazer o trekking a Choquequirao?

Abaixo, organizei os valores que anotei durante a viagem. São os gastos registrados na minha experiência, e não preços atualizados.

DespesaValor anotado
Transporte de Cusco a Curahuasi25 soles por pessoa
Táxi de Curahuasi a Capuliyoc120 soles para duas pessoas
Entrada de Choquequirao60 soles por pessoa
Hospedagem em Capuliyoc60 soles para duas pessoas
Hospedagem em Santa Rosa Alta30 soles para duas pessoas (não ficamos)
Hospedagem em Marampata50 soles para duas pessoas
Hospedagem em Chiquisca45 soles para duas pessoas, conforme a anotação final
Retorno a Cusco70 soles por pessoa
Quatro refeições80 soles por pessoa
Banho quente5 soles por pessoa, conforme a anotação final
Água31 soles no total
Wi-Fi6 soles no total
Compras de alimentos para a caminhada73,80 soles no total

Alguns valores precisam ser conferidos antes de calcular um orçamento definitivo. No relato do dia em que chegamos a Chiquisca, anotei 50 soles para duas pessoas pela hospedagem, mas a lista final de gastos registra 45 soles. Também mencionei dois soles pelo banho quente naquele dia, enquanto a lista final registra cinco soles por pessoa.

Em Santa Rosa Alta, o valor anotado foi de 30 soles para duas pessoas, mas não chegamos a dormir ali. O táxi de Curahuasi a Capuliyoc custou 120 soles para duas pessoas, enquanto o transporte de Cusco a Curahuasi e o retorno a Cusco foram cobrados por pessoa.

Além disso, as compras de alimentos para a caminhada custaram 73,80 soles no total. Como alguns gastos foram compartilhados e outros cobrados individualmente, é importante separar essas despesas para calcular corretamente o orçamento por pessoa.

Vale a pena fazer o trekking a Choquequirao por conta própria?

Para mim, valeu muito a pena. Choquequirao é um dos lugares mais lindos que conheci nos Andes. A caminhada exigiu esforço físico, decisões durante o percurso e flexibilidade para lidar com os transportes e as hospedagens.

As subidas foram duras, principalmente no trecho de Chiquisca a Capuliyoc. Também senti a diferença de caminhar com uma mochila nas costas, enfrentar o calor e administrar o cansaço acumulado ao longo dos dias. Ainda assim, conhecer as ruínas praticamente sozinha, com tanto silêncio ao redor e uma paisagem impressionante, foi uma experiência inesquecível.

Se você tem vontade de conhecer Choquequirao, minha principal recomendação é respeitar seu próprio ritmo e não tentar reproduzir exatamente o roteiro de outra pessoa. Eu fiz o percurso em quatro dias porque tinha pouco tempo disponível, mas teria aproveitado ainda mais se pudesse distribuir a caminhada em mais etapas e dedicar um dia inteiro às ruínas.

Choquequirao recompensa o esforço de chegar até lá. Para mim, a experiência foi muito além de conhecer um sítio arqueológico: foi atravessar montanhas, superar meus próprios limites e descobrir um dos lugares mais especiais que já visitei no Peru.

Picture of Giovana Zanette

Giovana Zanette

Viajante pela América do Sul a 4 anos, criadora do Carona Latina

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