O norte da Argentina é um território originário que integra a grande região andina da América do Sul. Além disso, preserva formas de vida, saberes e celebrações conectadas aos povos indígenas e à relação com a terra. Formado pelas províncias de Jujuy, Salta, Tucumán, Catamarca e Santiago del Estero, o NOA é um dos destinos mais completos da experiência andina, reunindo no mesmo território montanhas de altitude, a selva das Yungas e desertos de sal.
Por estar próximo de dois grandes ícones do continente, o Salar de Uyuni, na Bolívia, e o Deserto do Atacama, no Chile, o norte da Argentina vem recebendo cada vez mais viajantes em busca de paisagens marcantes, cultura viva e experiências autênticas nos Andes. Ainda assim, é uma região que exige atenção, respeito e um olhar mais consciente sobre o território.
Mais do que as famosas montanhas coloridas de Salta e Jujuy, a cultura andina se manifesta no cotidiano, nas festas populares e, especialmente, em um dos carnavais andinos mais fortes e genuínos que já vivi. Assim, viajar pelo norte da Argentina é atravessar um território de identidade, diversidade e profunda conexão cultural.
Montanhas do Norte da Argentina
O norte da Argentina faz parte do altiplano andino e abriga alguns dos cenários de maior altitude da região, com pontos de visitação que ultrapassam os 5.000 metros acima do nível do mar. Grande parte dessas paisagens está conectada pela famosa Ruta 40, que atravessa as províncias de Jujuy, Salta e Catamarca.
As montanhas coloridas do norte da Argentina são, sem dúvida, os atrativos mais conhecidos do NOA. Elas formam verdadeiros labirintos naturais chamados de quebradas, vales profundos esculpidos ao longo de milhares de anos pela ação da água e do vento. É nesses corredores naturais que surgem paredões em tons de vermelho, rosa, ocre e verde, que se tornaram símbolo da paisagem andina no norte argentino.

Mas o que realmente brilhou meus olhos quando conheci o NOA foram os pueblos de altura, comunidades que vivem entre montanhas coloridas e em territórios de grande altitude. Além disso, preservam modos de vida ancestrais, a cultura andina e a relação com a terra. Por isso, caminhar por esses povoados mostra que o norte da Argentina não é apenas um destino de paisagens impressionantes, mas um território vivo.
Montanhas do norte Argentino para visitar
Entre as principais montanhas do norte argentino, alguns cenários se tornaram paradas essenciais para quem deseja conhecer as paisagens andinas da região. Em primeiro lugar, em Jujuy, o destaque é o Cerro de los 14 Colores de Hornocal, um dos mirantes mais impressionantes do NOA.
Além disso, ainda em Jujuy, o Cerro de los Siete Colores, em Purmamarca, é uma das imagens mais conhecidas do norte da Argentina e marca a entrada da Quebrada de Humahuaca. Na sequência, na mesma região, vale subir até o Mirante da Paleta del Pintor, um dos melhores pontos para observar o conjunto de montanhas coloridas ao redor do vilarejo.
Por fim, em Jujuy, a Quebrada de las Señoritas forma um verdadeiro labirinto natural de rochas coloridas.
Já em Salta, a Quebrada de las Conchas se destaca pelos cânions e paredões esculpidos pela água.
Selva no Norte da Argentina
As Yungas, também chamadas de selva de montanha, ocupam as encostas orientais da Cordilheira dos Andes e formam um dos biomas mais importantes do norte da Argentina. Nessa transição entre a altitude andina e as áreas mais baixas, surgem as montanhas úmidas, com floresta densa e clima mais fresco.
Presentes principalmente em Salta, Jujuy e Tucumán, e conectadas ao sul da Bolívia e ao extremo sul do Peru, as Yungas formam um importante corredor ecológico andino, com alta biodiversidade e espécies endêmicas. Assim, a selva do norte da Argentina revela um lado pouco conhecido do NOA, ideal para trilhas, observação de aves e experiências de ecoturismo.

Onde conhecer a Selva do Norte da Argentina
Para quem quer incluir a selva subtropical no roteiro pelo norte da Argentina, alguns lugares facilitam o contato com as Yungas. Em primeiro lugar, em Jujuy, o principal destaque é o Parque Nacional Calilegua, uma das áreas mais importantes de conservação da selva de montanha no NOA.
Além disso, dentro do parque, a Fuente del Jordán é uma das paradas mais procuradas, com queda d’água em meio à floresta. Ainda em Jujuy, as Termas de Reyes surgem como uma boa opção para relaxar após os dias em altitude.
Por fim, em Salta, o bairro de San Lorenzo funciona como base prática para explorar a selva do norte da Argentina, com trilhas, rios e áreas verdes muito próximas ao centro da cidade.
Deserto no Norte da Argentina
Além de Montanhas e Selva, o norte Argentino, vizinho do Deserto do Atacama, faz parte de uma das regiões mais áridas do país. E é aqui que, em plena Ruta 40, entre Cafayate e Cachi, estão as formações impressionantes da Quebrada de las Flechas, uma das paisagens mais marcantes do deserto andino. Nesse trecho, a altitude varia entre aproximadamente 1.000 e 3.000 metros acima do nível do mar.

Minha experiência
Minha chegada ao Norte da Argentina foi por Salta. Desde o primeiro momento, me apaixonei pela cidade. Para mim, Salta é uma base perfeita para explorar tanto a província local quanto Jujuy, incluindo alguns destinos em Tucumán. Durante dois meses, vivi na cidade e aproveitei viagens de um dia ou de final de semana para Cafayate, Cachi, Humahuaca e Purmamarca. Cada passeio permitiu conhecer melhor as paisagens e a cultura da região.
Depois, decidi me aprofundar em Cafayate, onde passei um mês explorando o pueblo, seu vinhos de altura e seus arredores. A partir dali, viajei para Tafí del Valle, as Ruínas de Quilmes e Amaicha, em Tucumán. Assim, pude descobrir ainda mais a riqueza histórica e cultural do norte argentino. Na volta para Salta, organizei o que chamo de “triângulo turístico das quebradas de Salta”. Primeiro, segui pela Ruta 40 até Cachi, passando um dia conhecendo o pueblo, sua gastronomia e pontos turísticos como o Ovini Puerto e o Parque Nacional Los Cardones. No dia seguinte, percorri a Cuesta del Obispo, retornando à capital e atravessando cenários de montanhas e desertos andinos.
Durante esse período, também tive o privilégio de fazer o Trem a las Nubes, em Santo Antônio de los Cobres. A convite do vagão restaurante, provei pratos especiais a bordo. Foi uma experiência única, que me conectou ainda mais aos Andes.
Além de viver Salta como base, decidi explorar imersivamente os pueblos de Jujuy. Vivi dois meses em Humahuaca, um mês em Tilcara, três meses em Maimará e quinze dias em uma casa de campo em Huacalera. Com isso, conheci profundamente o modo de vida das comunidades locais. Também participei de cerimônias tradicionais e festividades. Além disso, descobri destinos especiais e pouco explorados, longe das rotas turísticas convencionais.
Roteiro exclusivo Norte da Argentina
O turismo no NOA cresce a cada ano, mas ainda faltam informações completas em português sobre muitos destinos do norte da Argentina. Como eu vivi na região por mais de um ano, conheci lugares pouco divulgados e experiências fora do roteiro tradicional.
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