Cusco é uma cidade incrivelmente linda e cheia de pontos para conhecer, pagos e gratuitos. Justamente por isso, fazer um city tour em Cusco é uma das melhores maneiras de entender a história da antiga capital do Império Inca e também de se conectar com a energia única dessa cidade andina.
Além dos atrativos clássicos, como templos e sítios arqueológicos famosos, a cidade também guarda ruas charmosas, mirantes pouco explorados e caminhos que podem ser descobertos sem pressa. E sinceramente? Acho que vale muito a pena separar pelo menos um ou dois dias para conhecer Cusco além dos roteiros tradicionais.

A região inteira possui uma enorme quantidade de ruínas porque Cusco foi o centro político, religioso e cultural do Império Inca. Muitos dos templos e construções originais foram parcialmente destruídos durante a colonização espanhola, mas as bases incas seguem intactas até hoje. É justamente isso que torna a cidade tão especial: caminhar por Cusco é literalmente caminhar por diferentes camadas da história.
City tours com agências
A maneira mais fácil de fazer um city tour em Cusco é reservando diretamente com as agências, seja presencialmente no centro histórico ou online com antecedência. Em geral, as agências oferecem dois tipos principais de passeio: um tour caminhando pelo centro histórico e outro conhecendo as quatro ruínas mais famosas nos arredores da cidade em transporte compartilhado.
Ambos os tours duram aproximadamente meio dia, cerca de 5 horas, e combinam história colonial, arquitetura inca e paisagens incríveis.
City walking tour
Os city tours caminhando pela cidade costumam ser os mais baratos, custando menos de R$50 por pessoa, justamente por não envolver transporte. Além disso, o tour normalmente começa em um ponto de encontro no centro histórico, onde o guia espera todos os participantes antes de iniciar o circuito.
Os pontos geralmente incluem a Calle Loreto, considerada a última rua inca preservada, passando pelos históricos edifícios Amrucancha e Aqllawasi até chegar ao Qorikancha, o famoso Templo do Sol. Depois disso, o circuito segue até o Palacio de Kusicancha e a Calle Inca Roca. O guia vai parando ao longo do caminho para explicar a história dos lugares, curiosidades sobre a cidade e também dar tempo para fotos.

O roteiro continua até a famosa Piedra de los 12 Ángulos, onde normalmente existe um pequeno tempo livre para observar os comércios da região. O passeio termina no bairro San Blas, passando pela Plaza de Armas, pela Casa de la Familia Olave e pelo lindíssimo Mirador de San Blas.
O city walking tour não busca no hotel e nem leva de volta depois do passeio. É um tour ideal para quem gosta de caminhar, explorar ruas históricas e entender mais profundamente a história de Cusco.
City tour 4 ruínas
Esse é o city tour indicado para conhecer as ruínas mais famosas nos arredores de Cusco. O passeio visita recintos arqueológicos e coloniais da antiga capital inca, passando pela Catedral de Cusco, Qorikancha, Sacsayhuamán, Q’enqo, Puka Pukara e Tambomachay.
Diferente do walking tour, essa opção é mais confortável porque a agência passa buscando no hotel e leva diretamente até a entrada de cada atração, e é a opção que permite visitar os sitios em volta da cidade. Vale lembrar que algumas hospedagens fora do centro histórico podem não estar incluídas no traslado, então é importante confirmar isso com a agência antes da reserva.
O passeio normalmente começa na Catedral de Cusco, logo o grupo segue caminhando até o Templo de Qorikancha, ainda dentro da cidade. Após conhecer a parte histórica do centro, sobimos novamente na van e começos o circuitos de ruínas com a Sacsayhuamán.

Para entrar nas ruínas é necessário comprar o famoso boleto turístico de Cusco, que tem 3 diferentes modalidades de preço conforme os lugares que voce vai visitar. O parcial custa 70 soles, sendo o utilizado nesse circuito. Em Sacsayhuamán geralmente existe cerca de uma hora livre para explorar o local antes de seguir para Q’enqo e Puka Pukara, conhecidos por seus labirintos e espaços cerimoniais.
Para finalizar, o tour passa por Tambomachay, famoso pelas fontes e canais de água esculpidos em pedra que seguem funcionando até hoje. Por fim, depois disso, a agência leva os participantes de volta para a hospedagem.
Esse tour pode ser feito pela manhã ou à tarde e custa em média R$80 por pessoa, sem incluir o boleto turístico obrigatório. No total, o passeio costuma sair por aproximadamente R$180 por pessoa.
Free walking tour Cusco
Uma opção mais mochileira e bastante comum em cidades turísticas é o free walking tour. Ele funciona de maneira parecida com o city walking tour das agências, mas geralmente possui roteiros mais criativos e diferentes. Pelo site da GuruWalk é possível pesquisar pela cidade de Cusco e encontrar as opções clássicas ou as experiências mais alternativas, como caminhadas gastronômicas, roteiros focados em lendas locais ou tours culturais conduzidos por moradores.
Apesar do nome, um free walking tour não significa um passeio gratuito. O funcionamento acontece através de gorjeta voluntária. O valor mais recomendado costuma ser cerca de US$10 por pessoa ao final do passeio, mas não existe um preço fixo. Cada viajante contribui com o valor que achar justo.
Os free walking tours normalmente possuem ponto de encontro no centro histórico e duram entre 2 e 3 horas. Em cidades muito turísticas como Cusco, os passeios geralmente acontecem diariamente e muitas vezes é possível apenas chegar no local e entrar no grupo. Mesmo assim, eu recomendo reservar pelo aplicativo ou enviar uma mensagem antes para garantir a saída do tour.
Lugares grátis e itinerário para conhecer Cusco por conta própria
Uma alternativa super interessante é explorar Cusco por conta própria. Inclusive, esse tipo de roteiro pode complementar perfeitamente os city tours tradicionais. A cidade é cheia de ruas históricas, mirantes e ruínas gratuitas que muita gente acaba deixando de lado. Com um bom planejamento e um mapa offline, dá para montar um roteiro incrível caminhando.
Eu particularmente tenho alguns lugares em Cusco que amo e sempre recomendaria conhecer:
- Calle Piedra de los 12 Ángulos
- Cuesta de San Blas
- Mercado Municipal de San Blas
- Acueducto Colonial
- Calle 7 Borreguitos
- Mirador da Igreja San Cristóbal
- Cristo Blanco
- Templo de la Luna
- Bosque de Qenqo
Roteiro gratuito caminhando em Cusco
Comecei meu dia subindo a Cuesta de San Blas até chegar ao Mercado Municipal de San Blas, onde comi muito bem e barato. Depois segui até o Acueducto Colonial e logo em seguida cheguei à famosa Calle 7 Borreguitos. Ali parei um pouco para tirar fotos e descansar porque as subidas em Cusco realmente pegam hahah.

Logo, continuei caminhando até o mirador da Igreja San Cristóbal, que inclusive, nesse ponto existem moradores que oferecem circuitos turísticos a cavalo por essa região, justamente porque o trajeto é longo e cheio de subidas. O mirador fica bem próximo da ruína Sacsayhuamán e considero esse um bom ponto de decisão do roteiro. Caso você esteja cansado ou com pouco tempo, pode ser uma boa hora para retornar ao centro.
Mas se ainda tiver energia, vale muito a pena continuar até o Cristo Blanco. O caminho é mais local e possui bastante subida, mas a vista compensa totalmente. Depois de descansar um pouco ali, segui caminhando até o Templo de la Luna passando pelo Bosque de Qenqo. Essa parte é mais afastada da zona turística e foi uma das regiões que mais gostei em Cusco. As ruínas são gratuitas, muito tranquilas e vale a pena o passeio. Sinceramente, eu voltaria lá muitas vezes.

O caminho de volta é o mesmo. Às vezes passam táxis pela região, mas não é garantido, então vale contar com disposição para caminhar pelo menos até Sacsayhuamán novamente. Também existe a opção de deixar o Templo de la Luna para outro dia e ir diretamente de táxi saindo do centro de Cusco.
Todo essa caminho pode ser feito em um dia de bastante disposição, ou em dois também, dividindo o roteiro. Pode ser mais tranquilo deixar o templo de la luna para um segundo dia, e chegar até la de taxi direto do centro de Cusco, evitando toda a caminhada de ida.
Boleto turístico de Cusco
O famoso boleto turístico de Cusco costuma gerar bastante confusão porque existem diferentes modalidades e combinações de atrações incluídas. De maneira simples, o boleto turístico é um ingresso que permite entrar em diversos atrativos arqueológicos e museus de Cusco e do Vale Sagrado.
A modalidade mais completa é o boleto geral, válido por 10 dias, que dá acesso a 16 atrações diferentes. O valor é de 130 soles por pessoa estrangeira, equivalente a cerca de R$180. Esse boleto da acesso a todos esses lugares sem pegar fila na entrada:

Para quem pretende fazer apenas alguns tours específicos, também existem opções de boleto parcial, que incluem combinações menores de atrações e possuem preços mais baratos. São 3 opções diferentes de circuitos e, por isso, antes de comprar, vale analisar quais lugares realmente pretende visitar durante a viagem.
Para fazer o City Tour em Cusco, que inclui Sacsayhuamán, Qenqo, Puca Pucara e Tambomachay, você deve comprar o Boleto Turístico Parcial, do Circuito 1. Os museo da cidade fazem parte do circuito 2 e os sitios arqueolágicos do valle sagrado, compõe os destinos liberado pelo circuito 3. Por isso, se você que aproveitar um dia livre na cidade de Cusco conhecendo museos ou vai fazer o tour do vale sagrado, já vale a pena pagar pelo boleto integral valido por 10 dias.
Museus de Cusco
Além das ruínas e sítios arqueológicos, Cusco também possui museus muito interessantes para entender melhor a cultura andina, inca e o período colonial. Se você gosta de história, vale muito incluir pelo menos um museu no roteiro para complementar toda a experiência cultural que Cusco oferece. E sinceramente, depois de visitar alguns deles, a experiência nos templos, ruas e ruínas fica ainda mais interessante.
Entre os principais estão:
- Museu Inka
- Museu de Arte Pré-Colombiana
- Museu Histórico Regional
- Museu do Qorikancha
- Museu de Arte Popular
Muitos deles ficam no próprio centro histórico e podem ser visitados caminhando entre um ponto e outro da cidade.
Museu Inka
O Museu Inka é provavelmente um dos mais completos e importantes da cidade para quem deseja entender a história do Império Inca. O espaço funciona dentro de uma construção colonial lindíssima e possui salas com cerâmicas, ferramentas, tecidos tradicionais, objetos de ouro e prata e até exposições sobre os diferentes povos andinos.
Uma das partes que mais me marcou foi a área com múmias e objetos funerários originais encontrados na região dos Andes. É um museu super interessante para visitar logo no início da viagem, porque ajuda muito a contextualizar os lugares históricos que você vai conhecer depois.
Museu de Arte Pré-Colombiana
Esse é um dos museus mais bonitos e organizados de Cusco. O Museu de Arte Pré-Colombiana reúne peças de diferentes civilizações que existiram antes da chegada dos espanhóis, incluindo culturas muito anteriores aos incas.
A iluminação e a curadoria do espaço são lindas, deixando a visita mais leve e visualmente muito interessante. Mesmo quem normalmente não gosta tanto de museu costuma curtir esse lugar justamente porque ele é mais dinâmico e bem apresentado. As peças em ouro, madeira esculpida e cerâmica chamam bastante atenção.
Museu Histórico Regional
O Museu Histórico Regional funciona em uma casa colonial construída sobre antigas bases incas e conta bastante sobre a transformação de Cusco durante o período colonial. O lugar mistura história política, arte religiosa e elementos do cotidiano da cidade ao longo dos séculos. Além disso, o próprio prédio já vale a visita.
É um museu interessante principalmente para quem gosta de compreender como aconteceu a mistura entre cultura andina e colonização espanhola.
Museu do Qorikancha
O Qorikancha já impressiona apenas pela construção em si, mas o pequeno museu dentro do complexo complementa bastante a visita. Ali é possível entender melhor como funcionava o antigo Templo do Sol, considerado um dos lugares mais importantes do Império Inca. Existem maquetes, objetos arqueológicos e explicações sobre astronomia andina, religião e arquitetura inca.
Depois de visitar o museu, caminhar pelas paredes de pedra do templo ganha outro significado.
Museu de Arte Popular
Esse museu costuma passar mais despercebido pelos turistas, mas eu achei uma experiência muito legal justamente porque mostra um lado mais vivo e atual da cultura peruana.
O espaço reúne máscaras tradicionais, esculturas, miniaturas e artesanato típico de diferentes regiões do Peru. É um lugar colorido, cheio de detalhes e muito conectado às festas populares andinas. Para quem gosta de fotografia, cultura local e arte tradicional, vale bastante incluir no roteiro.
Minha experiência em Cusco
Passei um mês fazendo voluntariado em Cusco durante o mês de junho e praticamente todos os dias tinham festas, apresentações e desfiles acontecendo pelas ruas da cidade. Junho é um dos meses mais culturais da região, porque no dia 21 acontece o Ano Novo Andino e no dia 24 a famosa e mais importante celebração de Inti Raymi.

Mas a verdade é que a cultura peruana está sempre em movimento. Em outros meses do ano também acontecem festas tradicionais importantes, como a Virgen de la Candelaria em fevereiro, Semana Santa em março ou abril, Virgen del Carmen em julho e Todos los Santos em novembro.
Achei Cusco uma cidade muito tranquila e segura para viajar sozinha. Fiz praticamente todas as atividades caminhando e conheci muitos lugares por conta própria. Durante meus 33 dias em Cusco e quase 2 meses viajando pelo Peru, não tive nenhum problema.
Recomendo muito organizar antes os lugares que deseja conhecer, porque realmente existem muitas opções de passeios, ruínas, museus e atividades. Assim fica mais fácil montar os roteiros e também deixar alguns dias livres para explorar a cidade sem pressa.
Muita gente viaja para Cusco com todos os dias preenchidos por tours e excursões, sem separar tempo para conhecer a cidade em si. E sinceramente? Acho que isso deveria ser mais considerado, porque Cusco é realmente linda, cheia de cultura, ruas históricas e experiências interessantes acontecendo o tempo inteiro.